
Vamos almoçar, Gastrónomos?
Os grelos rebolam empolgados de verde Na panela de ferro ancestral, ao lume, em tripé Que por ali, ao longe, anda sobre a maré Cheia de água a ferver, a borbulhar Foram apanhados pela manhã E estão frescos, quase a derreter Acompanhariam a Lampreia Se ela quisesse aqui aparecer Mas parece que não… As Tripas da moda daqui, do Porto Estão em sal e limão Iremos saboreá-las hoje? Sei lá se sim; sei lá se não E o Sangue misturado no vinagre Esperará ser cozido E escoado na carqueja Para levar um fio de azeite E lâminas de alho em perfil e sal grosso E ser degustado em deleite Na matança da Quintã? Ou todo na confusão, ao barulho Comido em Sarrabulho? Também pode ser de Galinha Ou de Coelho Servindo pra “cabidela” em arroz Olha! Está a cheirar ao Cozido de ossos da suã Que dá brilho à Papa de Milho O Atum chegou cá ao convívio Com a barriga fresca na grelha E o lombo fatiado, na faca afiada Qual “carne do mar” a dançar… A Sardinha ainda não está em tempo Mas deixa muitas saudades a nós todos E ao nosso Povo a quem só trás felicidades Tal como os Frutos do Mar Que se comem com um pouco de vaidades E a carne, carne, por onde anda? Já fumega! Barrosã, Mirandesa, Ribatejana, Açoreana, Madeirense, Arouquesa Ou de Lafões pra Duquesa Ou em Rojões pra dar cabo da beleza Mas quão velhos estão os nossos Poetas? Esqueceram-se: Do Leitão de maneiras muitas Dos Sabores sem fim à vista Das Sopas que ainda são “a tranca da barriga” Da espiga Nas farinhas em Pão, Broa, Migas ou Xerém Dos queijos diversificados em leites coalhados E dos Doces não só Conventuais, mas também Começando os roles pelos Ovos moles Ainda devemos trazer à Mesa O Cabrito saltitão O Borrego ensopado E o bom do Bacalhau Que sempre se esforçou Pra ser, mesmo, o mais amado * Tudo à moda antiga Tudo em respeito pela nossa Gastronomia Pelas nossas Tradições Pela nossa Cultura Pelas nossas Confrarias! Luís Amante Confraria da Lampreia de Penacova
Vamos almoçar, Gastrónomos? Ler mais "
