
Gastronomia como motor de desenvolvimento regional
Em Portugal, os territórios do interior caracterizam-se, genericamente, por serem mais frágeis e deprimidos social e economicamente, mas é inegável que encerram em si um conjunto de particularidades que os diferenciam dos demais, seja ao nível das tradições, seja ao nível da gastronomia. É com base nesta premissa gastronómica, que entendo importante que os autarcas e governantes percebamos o seu potencial e que sejamos capazes de criar condições para que ela se constitua como um motor de desenvolvimento e atração turística. No caso particular de Bragança, assumidamente, uma terra com um património gastronómico ímpar e de paladares únicos, começamos por inventariar esse património culminando, em 2017, com o lançamento da Carta Gastronómica (Vencedora do prémio de um Silver Award – Graphis Design Annual 2019), onde se dá um importante contributo para a preservação da cultura, memória e identidade da comida Bragançana. Prosseguimos com a valorização dos certames gastronómicos. Os nossos pratos de fumeiro são icónicos e reconhecidos como de grande qualidade e excelência, confecionados com carnes certificadas da região, desta forma, temos vindo a impulsionar e a consolidar as semanas gastronómicas e os festivais, apresentando como exemplos mais flagrantes o Festival do Butelo e das Casulas e as semanas gastronómicas à base de pratos de caça e castanha. Naturalmente, aqui se geram parcerias importantes onde as Confrarias, um “fenómeno” em expansão desde finais do século XX, têm vindo a assumir protagonismo na valorização dos produtos endógenos de cada região, a dar-lhes mais visibilidade e, também, a incentivar o seu consumo. A gastronomia mediterrânica é apreciada em toda a geografia terrestre e motivo de atração para degustações, da mesma forma as diversas gastronomias regionais podem ser vistas como um produto turístico que, se devidamente promovido e potenciado, pode gerar atratividade e, assim, conseguir captar o interesse de turistas e mercados paralelos. Todos temos a perceção que o turista de hoje é exigente e gosta de vivenciar o único e o diferente, pelo que Confrarias e governantes devem, através da gastronomia, potenciar a gestão dos destinos, promover culturas e contribuir para que outros setores como a agricultura e o fabrico de outros alimentos se desenvolvam. Câmara Municipal de Bragança
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