Manual de Identidade Alimentar – um exemplo de boas práticas em prol da gastronomia e da saúde alimentar

Desenvolvido no âmbito do Plano Nacional da Alimentação Equilibrada e Sustentável (PNAES) e da Estratégia Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (ESANP), este recém-editado manual visa promover a dieta mediterrânica, a alimentação equilibrada e saudável e a identidade alimentar de um território específico (Viseu Dão Lafões), numa aliança entre a produção local, a sazonalidade e a sustentabilidade.

Trata-se de um trabalho que resulta de uma vasta pesquisa, análise antropológica e recolha de informação nos 14 municípios que compõem a Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões.

O trabalho apostou no envolvimento da comunidade, com a promoção de momentos de partilha de vivências e memórias; sustentado na transdisciplinaridade das ciências da nutrição, da saúde, biológicas, sociais e humanas, numa experiência de cruzamento de conhecimento que aponta a preservação e promoção dos elementos alimentares identitários.

Durante o processo foram realizadas mais de 40 reuniões (e envolvidas cerca de 200 pessoas, entre técnicos municipais e institucionais, agricultores, produtores, confrarias, associações, escolas e outras entidades e elementos das diversas comunidades). Com o contributo e validação de cada um dos envolvidos, reuniu-se um conjunto de informações sobre os produtos, a gastronomia e as tradições alimentares da região.

Entre outros assuntos, este manual aborda a caracterização do território, nomeadamente a terra, a paisagem e as pessoas. Apresenta depois um enquadramento e definição de identidade alimentar, uma apresentação desta do território Viseu Dão Lafões, com a identificação dos seus elementos alimentares identitários, de acordo com os grupos e os princípios da Roda dos Alimentos Mediterrânicos.

O milho, o feijão, a batata, a castanha, a abóbora, a couve, os cogumelos, a maçã, a laranja, o cabrito, a vitela, os enchidos, o mel e as ervas aromáticas são algumas das referências da gastronomia da região e cuja importância lhes é dada no manual. Somam-se ainda o vinho e a doçaria, da qual fazem parte os pastéis de Vouzela.

Os últimos capítulos são dedicados à utensilagem e aos espaços alimentares que colhem, transportam, transformam, apresentam e representam a identidade alimentar do território, sendo feita também uma caracterização da Mesa de Viseu Dão Lafões e o caminho percorrido desde o campo até à sua degustação partilhada.

Segundo a equipa coordenadora do trabalho, o Manual de Identidade Alimentar pretende fomentar o combate ao desperdício alimentar, promover a dieta mediterrânica e uma alimentação equilibrada, saudável e aliada à identidade alimentar do território. “A diversidade, sazonalidade e preferência pelos produtos de origem vegetal, a partilha de recursos, a moderação festiva dos consumos de origem animal e do vinho são elementos preditores de saúde e do futuro”, consideram as nutricionistas Maria Inês Paula e Ana Helena Pinto.

O Manual de Identidade Alimentar de Viseu Dão Lafões é o resultado do primeiro eixo do projeto Identidade Alimentar em Viseu Dão Lafões e surge de uma parceria e candidatura conjunta dos Grupos de Ação Local deste mesmo território, nomeadamente a ADRIMAG – Associação de Desenvolvimento Rural Integrado das Serras do Montemuro Arada e Gralheira – entidade coordenadora da parceria; a ADD – Associação de Desenvolvimento do Dão; a ADDLAP – Associação de Desenvolvimento Dão, Lafões e Alto Paiva; e a ADICES – Associação de Desenvolvimento Local; e da Comunidade Intermunicipal (CIM) Viseu Dão Lafões.

Carlos Almeida (créditos: Revista Gazeta Rural; Câmara Municipal de Vouzela; CIM Viseu Dão Lafões).