Casa dos Morgados da Pedricosa: A nova sede da Federação em terras de Aveiro

Poucos são já os exemplares de casas nobres existentes em Aveiro. A arquitetura senhorial nunca atingiu, na zona litoral do país, uma importância elevada, quer pelo número, quer pela qualidade artística. É certo que existem bons exemplares, inclusivamente na Região de Aveiro, como são as casas dos Condes de Carvalhais e dos Marqueses da Graciosa. Tais exemplos são, contudo, exceções.

Em Aveiro, grande número das casas nobres desapareceu, entre elas as mais importantes. Importa, pois, inventariar as existentes e investigar a história a elas ligada.

Para iniciar este trabalho, escolhemos um edifício de alto valor para a história de Aveiro. Trata-se da casa dos Morgados da Pedricosa, existente na Rua de Santa Joana Princesa.

É um pequeno paço, do primeiro terço do séc. XVIII, de fachada relativamente simples, mas de agradável aspeto estético, enquadrada por pilastras toscanas e cimalha da mesma ordem; no andar nobre, quatro sacadas de lintel, friso e cornija, bacias com dois cachorros, grades de varões anelados. Os vãos inferiores foram modificados sem que, contudo, o seu carácter fosse prejudicado.

A meio da fachada o seguinte brasão esquartelado: o I e IV com as armas dos Eças; o II e III com quatro bandas. Como diferença pessoal, uma brica carregada de flor de lis. Elmo, paquife e timbre do primeiro. O II e III quartéis correspondem às armas dos Botelhos. O interior da casa encontra-se guarnecido com preciosos painéis de azulejo, oitocentistas, de temática histórica.

A casa da Rua de Santa Joana Princesa pertenceu, segundo o genealogista Moura Coutinho, a um ramo dos Eças de Santa Comba Dão e, mais tarde, nos finais do Sec. XIX, início do Sec. XIX, a Carlos da Silva Mello Guimarães, depois à Sociedade Testa & Amadores e, seguidamente, a Amadeu Augusto Amador. Foi, entretanto, adquirida pela Câmara Municipal de Aveiro aos herdeiros deste último.

Recentemente esta casa senhorial foi objeto de assinatura de Protocolo entre a Câmara de Aveiro e a Federação Portuguesa das Confrarias Gastronômicas para instalação no espaço da nova sede desta Federação.

Esta casa senhorial oferecerá as melhores condições para o desenvolvimento de um trabalho mais direto e próximo das Confrarias, integrando valências diversas como espaço museológico, biblioteca, salas de trabalho e de eventos, e espaços administrativos qualificados.