Informação

Confraria Gastronómica do Alentejo lançou o livro “Comeres Raianos”

Parte das receitas gastronómicas típicas dos 13 concelhos raianos do Alentejo e também do ‘vizinho’ concelho de Olivença (Espanha) estão, agora, reunidas num livro bilingue lançado pela Confraria Gastronómica do Alentejo. A obra, intitulada “Comeres Raianos”, disponível em português e em castelhano, reúne cerca de 50 receitas e conta ‘estórias e histórias’ do património gastronómico da raia alentejana e daquele município da província de Badajoz, na Estremadura espanhola. No total, do lado português, estão representados sete concelhos do distrito de Portalegre (Nisa, Castelo de Vide, Marvão, Portalegre, Arronches, Campo Maior e Elvas), dois do de Évora (Alandroal e Mourão) e quatro do de Beja (Barrancos, Moura, Serpa e Mértola), que fazem fronteira com as regiões espanholas da Estremadura ou da Andaluzia. O livro “retrata cada um desses concelhos e contou com a colaboração das autarquias”, explicou José Casas Novas, provedor da Confraria Gastronómica do Alentejo. “Faz um pouco a história de cada um dos concelhos, fala sobre a história gastronómica e, daí, o fator de ‘estórias e histórias’ de algumas curiosidades gastronómicas e até antropológicas” da raia, acrescentou o mesmo responsável. A Confraria Gastronómica do Alentejo adicionou ao livro ‘os comeres’ de Olivença, devido à “relação profícua” deste município espanhol com o Alentejo e pelo facto de a Confraria Gastronómica de Olivença ser ‘afilhada’ da Confraria Gastronómica do Alentejo. A Confraria A Confraria Gastronómica do Alentejo (CGA) é uma associação que tem por objeto a investigação e divulgação do  Património Gastronómico Alentejano. No desenvolvimento da sua atividade propõe-se defender e divulgar a autenticidade da Gastronomia Alentejana, sem, no entanto, reprimir a sua evolução natural e adequada a processos tecnicamente tidos como corretos. Incentivar a investigação do Património Gastronómico Alentejano nos seus múltiplos aspetos, tais como, receituário, arte e técnica da cozinha tradicional, produtos utilizados, relacionada com a arte popular gastronómica, pesquisa das antigas casas de comida, cozinheiras e cozinheiros famosos, evolução dos pratos, e todos os outros que permitam fazer a reconstituição histórica da cozinha dos nossos antepassados e afirmar a sua razão de ser nos dias de hoje. Também deve a CGA promover a nível regional, nacional e internacional a gastronomia alentejana, através das formas para o efeito consideradas convenientes. Retificar e atualizar sempre que necessário a Carta Gastronómica do Alentejo e colaborar na publicação e atualização periódica de um roteiro da Gastronomia Alentejana. Promover e apoiar medidas tendentes à preservação e recuperação da fauna e da flora autóctones, nomeadamente das espécies piscícolas e cinegéticas, das ervas aromáticas e condimentos, assim como de todos os produtos tradicionais, com especial incidência no presunto e enchidos do porco Alentejano.

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Casa dos Morgados da Pedricosa: A nova sede da Federação em terras de Aveiro

Poucos são já os exemplares de casas nobres existentes em Aveiro. A arquitetura senhorial nunca atingiu, na zona litoral do país, uma importância elevada, quer pelo número, quer pela qualidade artística. É certo que existem bons exemplares, inclusivamente na Região de Aveiro, como são as casas dos Condes de Carvalhais e dos Marqueses da Graciosa. Tais exemplos são, contudo, exceções. Em Aveiro, grande número das casas nobres desapareceu, entre elas as mais importantes. Importa, pois, inventariar as existentes e investigar a história a elas ligada. Para iniciar este trabalho, escolhemos um edifício de alto valor para a história de Aveiro. Trata-se da casa dos Morgados da Pedricosa, existente na Rua de Santa Joana Princesa. É um pequeno paço, do primeiro terço do séc. XVIII, de fachada relativamente simples, mas de agradável aspeto estético, enquadrada por pilastras toscanas e cimalha da mesma ordem; no andar nobre, quatro sacadas de lintel, friso e cornija, bacias com dois cachorros, grades de varões anelados. Os vãos inferiores foram modificados sem que, contudo, o seu carácter fosse prejudicado. A meio da fachada o seguinte brasão esquartelado: o I e IV com as armas dos Eças; o II e III com quatro bandas. Como diferença pessoal, uma brica carregada de flor de lis. Elmo, paquife e timbre do primeiro. O II e III quartéis correspondem às armas dos Botelhos. O interior da casa encontra-se guarnecido com preciosos painéis de azulejo, oitocentistas, de temática histórica. A casa da Rua de Santa Joana Princesa pertenceu, segundo o genealogista Moura Coutinho, a um ramo dos Eças de Santa Comba Dão e, mais tarde, nos finais do Sec. XIX, início do Sec. XIX, a Carlos da Silva Mello Guimarães, depois à Sociedade Testa & Amadores e, seguidamente, a Amadeu Augusto Amador. Foi, entretanto, adquirida pela Câmara Municipal de Aveiro aos herdeiros deste último. Recentemente esta casa senhorial foi objeto de assinatura de Protocolo entre a Câmara de Aveiro e a Federação Portuguesa das Confrarias Gastronômicas para instalação no espaço da nova sede desta Federação. Esta casa senhorial oferecerá as melhores condições para o desenvolvimento de um trabalho mais direto e próximo das Confrarias, integrando valências diversas como espaço museológico, biblioteca, salas de trabalho e de eventos, e espaços administrativos qualificados.

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Conclusões da caminhada

Iniciado em 2023 e terminado em 2024, o “road show” por todas as confrarias filiadas e não filiadas, gastronómicas e enogastronómicas, de norte a sul, incluindo as regiões autónomas dos Açores e da Madeira, permitiu à Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas (FPCG) fazer uma radiografia, ainda que ténue, mas com bons indicadores de diagnóstico, da saúde do Mundo Confrádico. A primeira análise que fizemos levou-nos a perceber que houve uma diluição no tempo de uma conduta orientadora, que vinha a ser implementada, para o bom funcionamento de relações entre as confrarias e a FPCG. Não importa, no tempo actual, sustentar a inabilidade e inoperância do passado, sobre a gestão dos destinos da FPCG, nem das orientações tomadas. Muito menos culpabilizar decisões, que no tempo e na conjuntura, pareceram as melhores. Nesta primeira análise, constatámos um divórcio total entre as confrarias e a Federação, que contraria os princípios da sua fundação, e também um total desconhecimento de dois documentos orientadores, existentes desde 2009, e muito pouco observados: o Código de Ética e Sugestões de Boas Prácticas. O primeiro, da ética, é fundamental para o funcionamento em sociedade e comunhão. O segundo regula sugestivamente a criação de uma confraria e o seu funcionamento social. Percebemos que as confrarias, salvo algumas excepções, assentam a sua dinâmica na associação de “bons rapazes”, em que não se regista um quadro organizacional de obrigatoriedade institucional que ultrapasse essa dinâmica. Por isso, as confrarias sobrevivem, embora descuidando as conduta orientadora e as boas prácticas para a valorização da Gastronomia Portuguesa. Percebemos melhor as confrarias. As estruturas, as dificuldades e a complexidade de existirem. Não se pede às confrarias que se cinjam às formalidades, se institucionalizem e criem estruturas profissionalizantes com obrigações de cumprir rígidos procedimentos. Pede-se que continuem a defender a gastronomia e a genuinidade dos produtos, as tradições e as identidades culturais e gastronómicas do território demarcado. A formalidade é um acto governativo/político, que está à vista de todos, e não é uma exigência para as confrarias. Na FPCG, todos, mas todos, fazem falta para criar uma estrutura credível, para ajudar as confrarias a promover o seu potencial positivo, para estar ao seu lado nos seus propósitos e, no fundo, para ajudar e congregar este desiderato é que existe a Federação. A maioria das confrarias, foi unânime em fazer algumas afirmações, que reproduzimos, sem identificar os autores. “… faz sentido a existência duma Federação, mas para ajudar, não para obrigar…” “… a redução das quotas foi uma decisão que tem de ser repensada. Negativa ou positiva, dever ser feito um balanço…” “… a Federação devia ter secções regionais ou sectoriais de tomada de responsabilidade…” “… os capítulos estão caros e não correspondem ao que se paga. As confrarias, nos capítulos, deviam dar mais cultura e menos vaidade, para levar as confrarias a participar. E as confrarias têm de pagar se querem ter uma Federação capaz…” “… as confrarias devem participar nos trabalhos da Federação e devem trabalhar com a direcção, quer na sede de Santarém, quer no que houver de trabalhos a desenvolver. Devem constituir delegados em cada região e ter uma informação credível em cada capítulo…” “… a Federação devia criar regras e normas que regulassem a actividade das confrarias…” “… a existência da Federação faz todo o sentido. Mas tem de marcar uma posição, com confrarias federadas ou não federadas, todos contam…” “… as confrarias contribuem para a promoção do território e da economia. A preocupação que tem de ter é serem apolíticas…” “… quanto à criação de confrarias deve obedecer a regras. Não pode haver um grupo de amigos, que depois morre…” Também fizemos uma introspeção à gestão da FPCG. E também chegámos a uma conclusão: a Federação não se pode gerir como o comportamento duma confraria, um “grupo de bons rapazes” que despretensiosamente marcam presença nos capítulos, intervém, e enviam os mapas de capítulos. Uma Federação, um órgão gestor dos destinos das confrarias e da gastronomia nacional, tem de ser muito mais do que isso. Por tudo isso é urgente dignificar as confrarias e o seu objecto. É urgente dar dignidade e representatividade social, institucional e cívica à FPCG. Numa palavra, é imperioso profissionalizar a FPCG, como forma de se actualizar, dar resposta às confrarias e estar no palco das decisões, a nível nacional, do que à gastronomia e às confrarias diz respeito. O encontro nacional das confrarias em Matosinhos foi um marco. Foi o corolário desejável, depois das auscultações às confrarias. Nada será como dantes. Não vamos continuar a utilizar o discurso ‘pedagógico’, e necessário, porque é formal e cria obrigatoriedades. Mas convenhamos que há um mínimo de procedimentos desejáveis para o bom funcionamento da relação entre as confrarias e a Federação. Por isso se criou um código de boas práticas e um código de ética. Voltaremos ao assunto, porque não está esgotado. E mais conclusões, retiradas das reuniões, podem ser aqui respaldadas. Por outro lado, o que se deseja, é que este espaço seja uma ‘discussão’ profícua que traga luz ao relacionamento confrarias/FPCG.       A Direção

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