Quero, em primeiro lugar, agradecer o amável convite que me foi dirigido e, em meu nome e da Região Autónoma da Madeira, saudar, na pessoa do Alcides Nóbrega – Presidente da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas e da Confraria Enogastronómica da Madeira, – todos os membros das confrarias que, de norte a sul do país, incluindo Regiões Autónomas, prestam, com o seu trabalho, um serviço inestimável, não só à sua comunidade e região, mas também ao país.
É inquestionável o valor da gastronomia, enquanto elemento identitário de uma comunidade, de um povo, porquanto esta nos revela acerca dos seus recursos e da sua economia, dos seus saberes e modos de fazer ancestrais, da sua cultura e história.
Julgo ser relevante sinalizar, não só a indissociabilidade, como também a importância do que se encontra a montante da nossa rica e diversificada gastronomia. Falo, naturalmente, dos nossos produtos agrícolas e frutícolas, da nossa pesca, pecuária e dos seus produtos derivados e, não menos importante, dos nossos vinhos.
Não há promoção ou salvaguarda, dinamização ou divulgação do nosso património gastronómico sem a defesa da nossa produção e dos nossos recursos, com sentido prospetivo, ou seja, antecipando, aquelas que devem ser as respostas e as soluções para os desafios que hoje se colocam a cada comunidade e à nossa sociedade.
Neste âmbito, a Madeira, não obstante o facto de produzir produtos de altíssima e reconhecida qualidade, apresenta, no que concerne à sua agricultura, características muito próprias e bem vincadas, que moldaram durante séculos uma produção quase sempre de subsistência. Falo-vos do nosso território, cuja orografia forçou o engenho e a força do homem a desenhar na paisagem pequenas parcelas de terreno em socalco armado em pedra de basalto.
Hoje, felizmente, a atividade não se coaduna com uma prática de subsistência, pelo que, a atratividade do setor decorre em grande medida da capacidade de gerar rendimento.
Neste contexto, estou certo de que a Região Autónoma da Madeira tem desenvolvido, nos últimos anos, de forma concertada, com resultados significativos e mensuráveis, políticas, no sentido de promover essa atratividade, em particular junto dos mais jovens.
A Madeira e o Porto Santo vêm apresentando um número crescente de jovens empresários, com formação e conhecimento, que dotam as suas produções de meios tecnológicos e computacionais, assegurando, por essa via, o incremento da qualidade e quantidade produzidas, a diminuição de custos e, em última análise, a maximização do rendimento. Para tal, tem sido fulcral a formação assegurada pela Escola Agrícola da Madeira, o acompanhamento in loco dos técnicos da Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural, os apoios à modernização das explorações agrícolas, com recurso a fundos europeus, através do Programa de Desenvolvimento Rural da Região Autónoma da Madeira.
Concorre igualmente o investimento em novos caminhos agrícolas, os planos estratégicos delineados para um conjunto significativo de produtos regionais e a sua diferenciação assente no produto “Marca Madeira”, assim como o crescimento de vários setores da indústria, que vem consolidando um percurso que nos aproxima da meta da autossuficiência.
Em suma, o património gastronómico que nos foi legado, objeto da prestimosa atividade das confrarias, está e estará sempre dependente da visão e da ação num mundo em acelerada e profunda transformação.
Miguel Albuquerque
Presidente do Governo Regional da Madeira



