Hábitos alimentares mais sustentáveis

A gastronomia é uma das mais poderosas e vivificantes expressões de cultura. O que comemos, como comemos, onde comemos e com quem comemos dizem muito sobre a identidade cultural de um país, região ou cidade.

Por isso, a afirmação do património identitário de uma comunidade depende, em boa medida, da capacidade de preservação e valorização dos seus hábitos alimentares e da sua tipicidade gastronómica.

A maneira de ser, pensar e agir dos portuenses deve muito aos rituais e prazeres da mesa.

O carácter muito próprio desta cidade foi historicamente construído sobre uma forte cultura gastronómica e enraizadas dietas alimentares. Basta pensar como as tripas são um fator identitário da cidade e dos portuenses, que ganharam o epíteto de “tripeiros”.

Tudo isto para dizer que o papel das confrarias na preservação, promoção e valorização do património gastronómico português vai ao encontro da mundividência do Porto. Somos uma cidade de bem comer, que gosta de estar à mesa e tem orgulho na sua cozinha tradicional.

Devo, pois, felicitar a Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas pelos nobres propósitos que prossegue, as relevantes iniciativas que desenvolve e o impacto sociocultural da sua atividade.

Este é, aliás, um tempo de grandes desafios para a gastronomia. Muitos dos mais preocupantes problemas ambientais, em particular as alterações climáticas, se devem à alimentação. A pecuária é uma das grandes responsáveis pela emissão de gases com efeito de estufa, enquanto a agricultura intensiva acelera a desflorestação, a degradação dos solos e recursos hídricos, a perda da biodiversidade, entre outros impactos.

Enquanto cidadãos de um país com uma enraizada cozinha tradicional somos, por isso, confrontados com um sério dilema: como salvaguardar a nossa gastronomia típica sem comprometer o esforço para salvar o planeta?

Perante isto, as confrarias têm um contributo a dar na compatibilização da nossa gastronomia com a necessidade de tornar os hábitos alimentares mais sustentáveis. É esta a resposta que hoje, mais do que nunca, esperamos das confrarias gastronómicas.

Rui Moreira

Presidente da Câmara Municipal do Porto