Confraria do Bucho e Tripas

A Confraria do Bucho e Tripas nasceu em 2018 numa aldeia do concelho de Abrantes, Pego. Uma terra em que as suas tradições, usos e costumes estão fortemente enraizados. Com uma gastronomia singular, o Bucho e Tripas é o prato-rei e a razão pela qual leva romarias às quartas-feiras à nossa aldeia na procura desta iguaria nas várias casas de petisco que aqui se encontram. Razões mais que suficientes para o surgimento da nossa Confraria.

A preservação e divulgação do Bucho e Tripas é o nosso principal objetivo. Procuramos dar- lhe visibilidade, através das várias ações e presenças dentro do movimento confrádico e pelas oportunidades que a nossa Junta de Freguesia e Município nos proporcionam. Internamente, procuramos formas, meios e ferramentas que nos ajudem na valorização e preservação do nosso produto, o que em 2021 resultou numa das nossas grandes vitórias, a marca coletiva registada: “Bucho e Tripas do Pego”, no Instituto de Propriedade Industrial.

Este registo deu uma grande importância ao Bucho e Tripas e, através dela, iniciámos um trabalho de parceria com as casas de petisco e restaurantes da aldeia do Pego, o qual que se encontra em execução. Como referi inicialmente, a nossa gastronomia é singular e por essa razão precisávamos de fazer mais e melhor. Assim, iniciámos trabalho na “Carta Gastronómica da Aldeia do Pego” que terá o seu lançamento no início do verão. Um projeto financiado pelo PDR2020, Medida 10.2.1.6- Renovação das Aldeias, de interesse para a CIMT- Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e reconhecido pelo Turismo Centro de Portugal como importância turística, económica e social, no contexto turístico da região, contribuindo para a valorização do nosso território e de interesse para as populações, comunidade e economia local.

Este é um projeto muito importante para nós, pois é o reconhecimento dos nossos antepassados como pioneiros de um legado de enorme importância e que nos possibilitou a construção de uma identidade ao longo dos tempos. É desta forma que demonstramos a essência, a vontade e aquilo que nos move dentro do movimento confrádico: Preservar e Divulgar. É aquilo que realmente mais importa, pois não há nada como desfrutar de um Capítulo onde possamos encontrar uma demonstração plena do produto, o respeito no ato da entronização e o valor da insígnia que se carrega.

O bem receber é um dos grandes chavões que nos caracteriza enquanto povo português. O local e a forma como é realizado pouco importa, desde que estas características estejam sempre presentes, porque não nos podemos nunca esquecer que a maioria dos pratos, senão todos, que contemplam a gastronomia portuguesa são originariamente pobres, por isso, a humildade é sempre a melhor forma de os respeitar e àqueles que estiveram na sua origem.

É desta forma que pretendemos enaltecer o Bucho e Tripas. Confecioná-lo de forma tradicional, como foi sendo transmitido de geração em geração ao longo das décadas, sem discordar da inovação. Respeitar o ato sério da entronização, assim como nos foi ensinado pela nossa Confraria-madrinha. Receber de forma honrosa quem nos visita, à boa maneira pegacha. Também o “feito à mão” impera na nossa Confraria, pois de forma orgulhosa confecionamos os pratos, fazemos a decoração e damos atenção a cada pormenor, em cada evento que nos prometemos a elevar o nosso prato. A azáfama destes dias, no final, torna-se muito gratificante. Exmo. Confrade Alcides Nóbrega, é tudo isto que me move.

A decisão de aos 28 anos ter tomado posse numa entidade que promove um património imenso, foi feita com a consciência da exigência de tamanha responsabilidade. A Confraria do Bucho e Tripas ainda tem um longo caminho a percorrer e muito temos a aprender. Mas, juntos, neste importante mundo que é o movimento confrádico, tenho a certeza de que todas nós, Confrarias Gastronómicas, faremos o melhor pela valorização da gastronomia em Portugal.

Daniela Canha

(Grão-mestre)