
Um olhar jovem!
O meu olhar jovem, mas desperto, levou-me a ter consciência da importância que o movimento confrádico tem na preservação e divulgação de produtos, receitas, tradições, territórios e história do nosso povo. Acredito no paralelismo saudável entre o passado e o futuro. É muito importante para as gerações futuras que não se deixe cair no esquecimento os costumes das nossas gentes. Nós, jovens, temos muito a aprender com as nossas gentes, são verdadeiros livros, plenos de sabedoria. Somos um país tão pequenino, mas tão grande! Grande nas suas gentes, grande nas suas tradições, grande na beleza dos seus territórios! Sinto que estou a honrar os meus antepassados. Enquanto jovem, quero fazer-me ouvir, quero puder divulgar toda a importância do trabalho árduo, da sabedoria de um povo que com pouco sempre fez muito. Toda a simplicidade das nossas gentes, das nossas avós, das nossas mães! Sem dúvida que são as mãos sábias destas mulheres e homens que colocam nas nossas mesas, muitas vezes, com um sacrifício enorme, mas sempre com muito amor e dedicação, os alimentos que nos nutrem. É à volta da mesa que se reúnem família e amigos! É à volta da mesa que se contam histórias, que se revivem tradições, costumes! O saber vai passando de geração em geração, envolto em laços de ternura! Na simplicidade da confeção dos alimentos, na riqueza dos sabores, outrora pratos de “pobres”, hoje são verdadeiras iguarias, apreciadas por nós jovens, pelos estrangeiros! Não passam despercebidas a ninguém, mesmo aos mais “desatentos”! Sempre que vou a um evento confrádico saio mais enriquecido! De afetos, de amizade, de saber histórico! Sinto que muito se tem feito a nível local para se mostrar o que de bom temos, mas acredito que muito ainda há para fazer. E é aqui que acredito que com a nossa jovialidade, com o nosso pensar “fora da caixa” que podemos dar um salto qualitativo na divulgação e também no registo de todas estas tradições, receituário, costumes. Desmitificar a imagem que por muitas vezes passa de sermos “um grupo de pessoas que se junta só para comer e beber”! Muito mais que desgostar as nossas iguarias queremos revelar e conservar as fontes de riqueza histórica que envolvem. Criam-se memórias, criam-se laços inquebráveis, fica-se com uma vontade enorme de fazer mais, de aprender mais! As conversas fluem, a alegria de um povo vem ao de cima, não tem idade! A vontade cresce solta de caminhar para um turismo responsável, ecológico, sadio, sustentável. A gastronomia tem rosto! São as pessoas que fazem os territórios! Pessoas que são moldadas pela natureza, pelo clima, pela água. Cozinhar é exclusivo das pessoas! Cozinhar é uma prova de amor pelos seus! Não há como ignorar este facto. João Veríssimo Coelho (Presidente da Direção da Real Confraria da Amêndoa de Portugal)








