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Viagens sensoriais

A melhor viagem que se pode fazer é sensorial. São múltiplas as formas de descobrir um território: pela magia das paisagens, a hospitalidade das populações, a oferta patrimonial, dinâmica cultural e, muito em especial, pelas tradições gastronómicas, cada vez mais valorizadas como fator distintivo e determinante para a atratividade territorial. Basta utilizar um sistema de navegação para constatar a importância atribuída à oferta gastronómica. Na decisão de ir, a qualidade gastronómica é um argumento cada vez mais determinante. Igualmente determinante é o fator diferenciação, que, no que toca ao cardápio, é absolutamente decisivo. Na oferta de experiências imersivas na cultura e tradição de uma comunidade, hoje em dia tão procuradas e valorizadas, a partilha dos sabores, que resultam de um saber e de uma vivência ancestral transmitidos de geração em geração, assume especial importância e é vista como uma das suas expressões mais significativas das propostas desta natureza. As confrarias assumem um papel cada vez mais importante na garantia de preservação deste património tão, e cada vez mais, valioso. Assumem-se como um autêntico repositório de sabores e de saber, e, não menos importante, como embaixadoras da nossa tradição. Apesar do trabalho de inegável importância que têm desempenhado, estou certo de  que as nossas confrarias podem aprofundar ainda mais a sua missão e dar um contributo particularmente valioso para o desenvolvimento local. Gonçalo Lopes, Presidente da Câmara Municipal de Leiria

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Gastronomia como motor de desenvolvimento regional

Em Portugal, os territórios do interior caracterizam-se, genericamente, por serem mais frágeis e deprimidos social e economicamente, mas é inegável que encerram em si um conjunto de particularidades que os diferenciam dos demais, seja ao nível das tradições, seja ao nível da gastronomia. É com base nesta premissa gastronómica, que entendo importante que os autarcas e governantes percebamos o seu potencial e que sejamos capazes de criar condições para que ela se constitua como um motor de desenvolvimento e atração turística. No caso particular de Bragança, assumidamente, uma terra com um património gastronómico ímpar e de paladares únicos, começamos por inventariar esse património culminando, em 2017, com o lançamento da Carta Gastronómica (Vencedora do prémio de um Silver Award – Graphis Design Annual 2019), onde se dá um importante contributo para a preservação da cultura, memória e identidade da comida Bragançana. Prosseguimos com a valorização dos certames gastronómicos. Os nossos pratos de fumeiro são icónicos e reconhecidos como de grande qualidade e excelência, confecionados com carnes certificadas da região, desta forma, temos vindo a impulsionar e a consolidar as semanas gastronómicas e os festivais, apresentando como exemplos mais flagrantes o Festival do Butelo e das Casulas e as semanas gastronómicas à base de pratos de caça e castanha. Naturalmente, aqui se geram parcerias importantes onde as Confrarias, um “fenómeno” em expansão desde finais do século XX, têm vindo a assumir protagonismo na valorização dos produtos endógenos de cada região, a dar-lhes mais visibilidade e, também, a incentivar o seu consumo.  A gastronomia mediterrânica é apreciada em toda a geografia terrestre e motivo de atração para degustações, da mesma forma as diversas gastronomias regionais podem ser vistas como um produto turístico que, se devidamente promovido e potenciado, pode gerar atratividade e, assim, conseguir captar o interesse de turistas e mercados paralelos. Todos temos a perceção que o turista de hoje é exigente e gosta de vivenciar o único e o diferente, pelo que Confrarias e governantes devem, através da gastronomia, potenciar a gestão dos destinos, promover culturas e contribuir para que outros setores como a agricultura e o fabrico de outros alimentos se desenvolvam. Câmara Municipal de Bragança

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Compromisso de Honra

Aprovado em 2008 em reunião do Conselho Geral da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas Portuguesas, o “Código de Ética”, compromisso de honra, um dos momento altos dos capítulos, onde se obriga na sua entronização a respeitar normas enquanto membro, a confraria enquanto instituição defensora de valores humanistas, fraternidade, lealdade, herança cultural, mas também os produtos da terra, as receitas antigas, a destreza técnica, as tradições e memórias de um legado patrimonial de valor incomensurável. Nas últimas décadas nasceram em Portugal dezenas de confrarias fundadas em pilares identitários dos produtos da terra, de ingredientes e receitas genuínas, nas tradições e hábitos locais com objetivo maior pela defesa, preservação e manutenção do seu património. As confrarias, por razões e emoções, devem ser verdadeiras guardiãs de memórias e tradições, da cultura gastronómica, resistentes às invasões de hábitos alimentares estranhos, à sua adulteração e à degradação silenciosa a que todos assistimos, impiedosamente. Hoje, por juízos, as confrarias não fazem trabalho de casa na formação dos seus membros, divulgam mal os seus produtos, ignoram a riqueza do seu território. As confrarias perderam o seu verdadeiro e intransigente papel na defesa daquilo pelas quais foram fundadas. Como entender a ementa de um capítulo ou outro evento gastronómico que não seja promovida a receita ou produtos identitários pelos quais fizeram nascer a Confraria? Não se entende que num evento promovido por uma Confraria não haja intervenção sobre a história do prato, muitas vezes mal confecionado, sem que ninguém se prenuncie. A ausência de capacidade crítica nestes eventos torna-nos cúmplices da confeção incorreta, em contraponto com o juramento de compromisso de honra. Porque será que os jovens não aderem ao que andamos a fazer? Percorrer o país em romaria, pendurar o pin da lapela da celebração de mais um capítulo, exibir belas fotos, ostentar os trajes, sem ter a preocupação de conhecer a história e o receituário local, sem apreciar e saber o que se põe no prato é verdadeiro, ou falso, muitas vezes acompanhado com garrafas de Seven Up ou Coca Cola, é muito mau exemplo. A Confraria Terras de Vimaranes foi fundada por razões justificadas que nos transmitem preocupações justas às quais há necessidade de encontrar soluções. É um projeto plural, de coesão territorial, inclusivo, onde cabem todos quantos defendem a autenticidade dos produtos e receitas, os registos de memórias e tradições, dos lugares e das pessoas tendo sempre presente que estes são a nossa maior riqueza. Ao fim de cinco meses de vida realizamos o primeiro ato eleitoral. Nos seus corpos gerentes estão três presidentes de junta. São membros da Confraria 12 presidentes de junta que representam 17 freguesias do nosso território. É nesta base de proximidade e de ligação umbilical à terra que assentam os pilares do nosso trabalho; registos de memória, realização de concursos gastronómicos, premiar o melhor e os melhores, reunir os órgãos sociais com regularidade, distribuir pequenas tarefas, incluir os jovens; promover os produtos da terra em quintas em harmonização com o receituário local, a alquimia da cozinha no prato. No fim de semana de 31 de maio e 2 de junho de 2024, vamos realizar o “I Vinhos Vimaranes”, um encontro com produtores, com o propósito de divulgar e promover os vinhos da região, num verdadeiro serviço cívico com pulsar afonsino, dedicada à comunidade. No âmbito deste evento, vamos realizar o nosso segundo Capítulo. Portugal tem um património alimentar inestimável, a natureza, o mar, os rios, os produtos da terra, os vinhos, os doces conventuais, a gastronomia, a hotelaria, a restauração, fazem do nosso território um lugar mágico. Há uma necessidade imperiosa da união de todos quantos amam este património. Unir o movimento confrádico à mesa em torno de objetivos concretos de formação e valorização com as mulheres, os jovens e todos os que se interessem verdadeiramente por aquilo que nos une; a gastronomia, património imaterial da humanidade, como importante pilar de desenvolvimento económico e social e na afirmação e identidade de um povo secular. Mário Moreira, Cozinheiro Presidente da Direção da Confraria Terras de Vimaranes

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Conclusões da caminhada

Iniciado em 2023 e terminado em 2024, o “road show” por todas as confrarias filiadas e não filiadas, gastronómicas e enogastronómicas, de norte a sul, incluindo as regiões autónomas dos Açores e da Madeira, permitiu à Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas (FPCG) fazer uma radiografia, ainda que ténue, mas com bons indicadores de diagnóstico, da saúde do Mundo Confrádico. A primeira análise que fizemos levou-nos a perceber que houve uma diluição no tempo de uma conduta orientadora, que vinha a ser implementada, para o bom funcionamento de relações entre as confrarias e a FPCG. Não importa, no tempo actual, sustentar a inabilidade e inoperância do passado, sobre a gestão dos destinos da FPCG, nem das orientações tomadas. Muito menos culpabilizar decisões, que no tempo e na conjuntura, pareceram as melhores. Nesta primeira análise, constatámos um divórcio total entre as confrarias e a Federação, que contraria os princípios da sua fundação, e também um total desconhecimento de dois documentos orientadores, existentes desde 2009, e muito pouco observados: o Código de Ética e Sugestões de Boas Prácticas. O primeiro, da ética, é fundamental para o funcionamento em sociedade e comunhão. O segundo regula sugestivamente a criação de uma confraria e o seu funcionamento social. Percebemos que as confrarias, salvo algumas excepções, assentam a sua dinâmica na associação de “bons rapazes”, em que não se regista um quadro organizacional de obrigatoriedade institucional que ultrapasse essa dinâmica. Por isso, as confrarias sobrevivem, embora descuidando as conduta orientadora e as boas prácticas para a valorização da Gastronomia Portuguesa. Percebemos melhor as confrarias. As estruturas, as dificuldades e a complexidade de existirem. Não se pede às confrarias que se cinjam às formalidades, se institucionalizem e criem estruturas profissionalizantes com obrigações de cumprir rígidos procedimentos. Pede-se que continuem a defender a gastronomia e a genuinidade dos produtos, as tradições e as identidades culturais e gastronómicas do território demarcado. A formalidade é um acto governativo/político, que está à vista de todos, e não é uma exigência para as confrarias. Na FPCG, todos, mas todos, fazem falta para criar uma estrutura credível, para ajudar as confrarias a promover o seu potencial positivo, para estar ao seu lado nos seus propósitos e, no fundo, para ajudar e congregar este desiderato é que existe a Federação. A maioria das confrarias, foi unânime em fazer algumas afirmações, que reproduzimos, sem identificar os autores. “… faz sentido a existência duma Federação, mas para ajudar, não para obrigar…” “… a redução das quotas foi uma decisão que tem de ser repensada. Negativa ou positiva, dever ser feito um balanço…” “… a Federação devia ter secções regionais ou sectoriais de tomada de responsabilidade…” “… os capítulos estão caros e não correspondem ao que se paga. As confrarias, nos capítulos, deviam dar mais cultura e menos vaidade, para levar as confrarias a participar. E as confrarias têm de pagar se querem ter uma Federação capaz…” “… as confrarias devem participar nos trabalhos da Federação e devem trabalhar com a direcção, quer na sede de Santarém, quer no que houver de trabalhos a desenvolver. Devem constituir delegados em cada região e ter uma informação credível em cada capítulo…” “… a Federação devia criar regras e normas que regulassem a actividade das confrarias…” “… a existência da Federação faz todo o sentido. Mas tem de marcar uma posição, com confrarias federadas ou não federadas, todos contam…” “… as confrarias contribuem para a promoção do território e da economia. A preocupação que tem de ter é serem apolíticas…” “… quanto à criação de confrarias deve obedecer a regras. Não pode haver um grupo de amigos, que depois morre…” Também fizemos uma introspeção à gestão da FPCG. E também chegámos a uma conclusão: a Federação não se pode gerir como o comportamento duma confraria, um “grupo de bons rapazes” que despretensiosamente marcam presença nos capítulos, intervém, e enviam os mapas de capítulos. Uma Federação, um órgão gestor dos destinos das confrarias e da gastronomia nacional, tem de ser muito mais do que isso. Por tudo isso é urgente dignificar as confrarias e o seu objecto. É urgente dar dignidade e representatividade social, institucional e cívica à FPCG. Numa palavra, é imperioso profissionalizar a FPCG, como forma de se actualizar, dar resposta às confrarias e estar no palco das decisões, a nível nacional, do que à gastronomia e às confrarias diz respeito. O encontro nacional das confrarias em Matosinhos foi um marco. Foi o corolário desejável, depois das auscultações às confrarias. Nada será como dantes. Não vamos continuar a utilizar o discurso ‘pedagógico’, e necessário, porque é formal e cria obrigatoriedades. Mas convenhamos que há um mínimo de procedimentos desejáveis para o bom funcionamento da relação entre as confrarias e a Federação. Por isso se criou um código de boas práticas e um código de ética. Voltaremos ao assunto, porque não está esgotado. E mais conclusões, retiradas das reuniões, podem ser aqui respaldadas. Por outro lado, o que se deseja, é que este espaço seja uma ‘discussão’ profícua que traga luz ao relacionamento confrarias/FPCG.       A Direção

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Manual de Identidade Alimentar – um exemplo de boas práticas em prol da gastronomia e da saúde alimentar

Desenvolvido no âmbito do Plano Nacional da Alimentação Equilibrada e Sustentável (PNAES) e da Estratégia Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (ESANP), este recém-editado manual visa promover a dieta mediterrânica, a alimentação equilibrada e saudável e a identidade alimentar de um território específico (Viseu Dão Lafões), numa aliança entre a produção local, a sazonalidade e a sustentabilidade. Trata-se de um trabalho que resulta de uma vasta pesquisa, análise antropológica e recolha de informação nos 14 municípios que compõem a Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões. O trabalho apostou no envolvimento da comunidade, com a promoção de momentos de partilha de vivências e memórias; sustentado na transdisciplinaridade das ciências da nutrição, da saúde, biológicas, sociais e humanas, numa experiência de cruzamento de conhecimento que aponta a preservação e promoção dos elementos alimentares identitários. Durante o processo foram realizadas mais de 40 reuniões (e envolvidas cerca de 200 pessoas, entre técnicos municipais e institucionais, agricultores, produtores, confrarias, associações, escolas e outras entidades e elementos das diversas comunidades). Com o contributo e validação de cada um dos envolvidos, reuniu-se um conjunto de informações sobre os produtos, a gastronomia e as tradições alimentares da região. Entre outros assuntos, este manual aborda a caracterização do território, nomeadamente a terra, a paisagem e as pessoas. Apresenta depois um enquadramento e definição de identidade alimentar, uma apresentação desta do território Viseu Dão Lafões, com a identificação dos seus elementos alimentares identitários, de acordo com os grupos e os princípios da Roda dos Alimentos Mediterrânicos. O milho, o feijão, a batata, a castanha, a abóbora, a couve, os cogumelos, a maçã, a laranja, o cabrito, a vitela, os enchidos, o mel e as ervas aromáticas são algumas das referências da gastronomia da região e cuja importância lhes é dada no manual. Somam-se ainda o vinho e a doçaria, da qual fazem parte os pastéis de Vouzela. Os últimos capítulos são dedicados à utensilagem e aos espaços alimentares que colhem, transportam, transformam, apresentam e representam a identidade alimentar do território, sendo feita também uma caracterização da Mesa de Viseu Dão Lafões e o caminho percorrido desde o campo até à sua degustação partilhada. Segundo a equipa coordenadora do trabalho, o Manual de Identidade Alimentar pretende fomentar o combate ao desperdício alimentar, promover a dieta mediterrânica e uma alimentação equilibrada, saudável e aliada à identidade alimentar do território. “A diversidade, sazonalidade e preferência pelos produtos de origem vegetal, a partilha de recursos, a moderação festiva dos consumos de origem animal e do vinho são elementos preditores de saúde e do futuro”, consideram as nutricionistas Maria Inês Paula e Ana Helena Pinto. O Manual de Identidade Alimentar de Viseu Dão Lafões é o resultado do primeiro eixo do projeto Identidade Alimentar em Viseu Dão Lafões e surge de uma parceria e candidatura conjunta dos Grupos de Ação Local deste mesmo território, nomeadamente a ADRIMAG – Associação de Desenvolvimento Rural Integrado das Serras do Montemuro Arada e Gralheira – entidade coordenadora da parceria; a ADD – Associação de Desenvolvimento do Dão; a ADDLAP – Associação de Desenvolvimento Dão, Lafões e Alto Paiva; e a ADICES – Associação de Desenvolvimento Local; e da Comunidade Intermunicipal (CIM) Viseu Dão Lafões. Carlos Almeida (créditos: Revista Gazeta Rural; Câmara Municipal de Vouzela; CIM Viseu Dão Lafões).

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Saborear Portugal e celebrar a vida!

A competitividade de Portugal no contexto do turismo mundial é diretamente proporcional à valorização da sua oferta. É justo assinalar que somos cada vez mais procurados e reconhecidos pelo nosso produto turístico plural, qualitativamente distintivo nas suas diferentes declinações, entre as quais se afirma o turismo gastronómico e o enoturismo. Não sem razão, a gastronomia e os vinhos combinam com toda a pertinência como ativo qualificador da Estratégia Nacional para o Turismo 2027. A procura concretamente suscitada por estes argumentos do nosso produto turístico é um dado expressivo e mensurável: no TOP 10 dos mercados emissores a nível mundial, a oferta gastronómica e enoturística está já entre as quatro razões que motivam as pesquisas sobre Portugal como destino de viagens. Gostaria de sublinhar que a diversificação da oferta turística por esta via permite direcionar visitantes para regiões de menor densidade, com todas as vantagens que daí decorrem em termos desenvolvimento das economias locais, condição indispensável para esbater a sazonalidade. Acresce, ao avaliarmos objetivamente os efeitos indutores da gastronomia, que muitas outras fileiras aproveitam a dinâmica em curso, da agricultura ao mar, do têxtil à cerâmica, incluindo a própria indústria de cutelaria. Uma dimensão catalisadora que, naturalmente, ganha peso maior quando os argumentos da oferta turística se estendem ao enoturismo.  Vale por dizer que Portugal emerge e releva como destino gastronómico e enoturístico. Um destino que sabe captar e surpreender turistas ávidos de experiências autênticas e reveladoras da boa mesa e de uma carta de vinhos de exceção. Assim acontece em diferentes cenários, num restaurante de alta gastronomia, numa tasquinha, num festival de street food, num sem-número de eventos que pontuam os nossos territórios. As Confrarias gastronómicas têm, aqui, obra feita e uma palavra a dizer. Uma palavra sábia e eloquente na defesa da autenticidade de tudo aquilo que, neste capítulo, torna o nosso país um destino vivamente apetecível, onde o melhor da tradição liga bem com as tendências contemporâneas e os desafios do futuro sustentável. Com tudo isto nos identificamos e nos mobilizamos, desde logo no pensamento estratégico e nas ações concretas que abrem caminho a Portugal no seu propósito de liderar o turismo do futuro. O turismo ancorado nos três pilares da sustentabilidade (económico, social e ambiental), que convida a saborear experiências memoráveis e a celebrar a vida! Carlos Abade Presidente do Turismo de Portugal

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De Trás-os-Montes ao Algarve

Neste ano de 2024, nos dois ‘extremos’ do território nacional, assinalam-se duas importantes datas para a gastronomia portuguesa. Em Bragança, comemora-se a 26 de maio (data móvel) o Dia Nacional da Gastronomia Portuguesa, criado em 2015 através de uma resolução da Assembleia da República. Curiosamente, a 26 de julho (data fixa), assinala-se 24 anos da elevação da gastronomia portuguesa a bem imaterial do património cultural de Portugal, por Resolução do Conselho de Ministros de 26 de julho de 2000. No caso da efeméride que acontece no último domingo de maio, a data tem sido comemorada ininterruptamente, ainda que em ‘formato online’ no período da pandemia. Já no caso da distinção como bem imaterial do património cultural de Portugal, aos primeiros (poucos) anos dos mais variados eventos de ‘festejo’ com alguns discursos e promessas de apoio, seguiu-se uma década e meia de quase total esquecimento daquela que foi a distinção que afirmou e associou – e bem – a gastronomia portuguesa à cultura. Um protocolo existente entre a Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas (FPCG) e a Associação de Municípios Portugueses do Vinho (AMPV), durante alguns anos ignorado, foi, entretanto, ’ativado’ e a associação que conta atualmente com 142 municípios passou a colaborar com a FPCG em várias atividades, nomeadamente o Dia Nacional da Gastronomia. Por outro lado, tendo em conta a crescente relação entre a gastronomia e os vinhos, em 2020 a Associação de Municípios Portugueses do Vinho (AMPV) e a Associação das Rotas do Vinho de Portugal (ARVP), decidiram assinalar o vigésimo aniversário da gastronomia como património cultural, sublinhando desde logo o objetivo de reforçar essa ligação, adotando o slogan: ‘Gastronomia e Vinho: porque ninguém é feliz sozinho’. Na edição de 2022 foi possível, finalmente, incluir nesta iniciativa a participação efetiva da FPCG e agora, para assinalar o vigésimo quarto aniversário da elevação da gastronomia a “bem imaterial do património cultural de Portugal”, elaborou-se um programa com o qual se espera contar com as confrarias integradas na Federação, através de iniciativas que venham a integrar a ‘Semana das Comemorações’ que acontecerá em todo o país (ilhas incluídas, naturalmente) entre 20 e 28 de julho de 2024, contando também com muitos dos municípios associados da AMPV, um pouco por todo o nosso País. E é agora no outro ‘extremo’ de Portugal que vão concentrar-se as comemorações promovidas pela AMPV, em parceria com a FPCG e outros organismos, envolvendo diretamente quatro municípios algarvios e todas as confrarias que queiram e possam associar-se. Embora estejam ainda a ser ‘afinados’ alguns pormenores, podemos adiantar que estão previstas atividades em Lagoa (dia 25), S. Braz de Alportel (26), Tavira (27) e Loulé (28). Brevemente faremos chegar, através da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas, mais informações sobre as comemorações do vigésimo quarto aniversário da elevação da gastronomia a ‘bem imaterial do património cultural de Portugal’. Amílcar Malhó AMPV

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Dia Nacional da Gastronomia em Bragança

Face à importância da valorização da gastronomia, consagrada “Património Cultural” pela Resolução de Conselho de Ministros nº 96/2000, posteriormente, por recomendação do Parlamento Europeu, foi publicado, em 2014, um relatório sobre o Património Gastronómico, onde recomenda a criação de um Observatório Europeu de Gastronomia, a Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas considera importantes estes ventos, que não deixaram indiferentes os grupos parlamentares dos deputados à Assembleia da República, que, em uníssono, formularam o Projeto de Resolução nº 1453/XII para instituir o Dia Nacional da Gastronomia Portuguesa. Nessa sequência, o projeto, subscrito por todos os deputados, culminou num texto conjunto aprovado por unanimidade no dia 26 de Junho de 2015, instituindo um dia de celebração, para a Gastronomia Portuguesa. Assim, coroando de êxito o esforço e o empenho da FPCG e das Confrarias nela filiadas, foi formalizada, no dia 13 de Julho de 2015, e apresentada a Comissão de Celebração do I Dia Nacional da Gastronomia Portuguesa, a 29 de Maio de 2016, ficou instituído o último domingo do mês de Maio, em cada ano, para a sua celebração. Depois de Aveiro, em 2016, Lisboa, em 2017, Gaia, em 2018, Viseu, em 2019, Santarém, em 2020, Terras de Lafões, em 2022, Barcelos e Fafe, em 2023, 2024 é altura de afirmar a gastronomia e a identidade transmontana, durante os dias 24, 25 e 26 de Maio, consagrando o Dia Nacional da Gastronomia Portuguesa.

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Confrarias: Guardiãs da nossa cultura, tradições e identidade nacional

As Confrarias são extremamente importantes na defesa da nossa cultura e história. Representam a vontade inabalável de alguns, em manter tradições ancestrais e produtos únicos, que são marcas por vezes esquecidas do nosso país. O vosso esforço pessoal na preservação, divulgação e promoção do nosso património imaterial, permite-nos ter a confiança que as gerações futuras, terão memória e irão continuar a valorizar as nossas tradições e cultura. As confrarias têm, deste modo, a honra de combinar tradição com a visão inovadora do Marketing necessário para que, os nossos e vossos territórios, se continuem a afirmar na sociedade de hoje. São as guardiãs daquilo que nos define como povo e até, permitam-me afirmar, como comunidade e país. As confrarias continuam, com orgulho, a escrever os “capítulos” dos nossos produtos e tradições. Em boa hora o Encontro Nacional das Confrarias Portuguesas de 2023 é subordinado ao tema da Gastronomia Portuguesa, pois os nossos hábitos e costumes de alimentação são algumas das condições mais significativas e diferenciadoras da identidade do nosso povo e da nossa cultura. O mérito e o saber fazer da sua restauração, permitiu que a Guarda fosse declarada destino Gastronómico de 2022, permitindo que esta distinção seja uma oportunidade única para a divulgação do valor da gastronomia do nosso território e dos seus produtos endógenos. Num mundo atual cada vez mais centrado no EU, as confrarias permitem a socialização e a formação de uma identidade comunitária, promovendo a entreajuda e o desenvolvimento de relações pessoais entre os seus membros. Nos dias de hoje, muito se fala em networking, esquecendo por vezes que as confrarias foram pioneiras a colocar em prática os preceitos do trabalho em rede entre os seus membros e as mais diversas organizações e instituições. Subestimar o valor acrescentado que o seu abnegado trabalho traz às nossas comunidades, seria um erro que não podemos nem devemos cometer. A nossa sociedade necessita do seu saber em prol da nossa cultura e tradições que devemos apoiar e incentivar cada vez mais, quer seja a título pessoal ou institucional. Nós na Guarda tudo faremos, na medida das nossas possibilidades, para contribuir e destacar o seu prestimoso papel na sociedade atual. Sérgio Costa Presidente da Câmara Municipal da Guarda

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Gastronomia portuguesa “é um dos baluartes do nosso país”

A gastronomia portuguesa é um dos baluartes do nosso país e é um ativo que todos devemos preservar e valorizar. Neste particular, as confrarias desempenham um papel fundamental na promoção deste sector de atividade, tanto a nível nacional, assim como nos principais mercados internacionais. A Federação Portuguesa de Confrarias Gastronómicas tem prestado um serviço público de excelência e merece o meu total reconhecimento pela dinâmica que tem aplicado nos diferentes projetos, pelo trabalho desenvolvido ao longo dos tempos e, simultaneamente, para o fortalecimento da coesão do nosso território. A gastronomia é uma ferramenta essencial para a promoção dos territórios no sentido de tentar captar mais visitantes e que cada vez mais pessoas tomem a decisão, com base em toda a informação disponibilizada, de conhecer regiões, de passar férias ou fins-desemana e consumir os produtos e iguarias locais. Este é um dos grandes fatores de desenvolvimento turístico em toda a Europa e muito especialmente no nosso país, onde nos afirmamos além-fronteiras pela nossa reconhecida qualidade. Desde a primeira hora que em Braga nos assumimos como um parceiro ativo e cooperante junto dos agentes e instituições nas suas mais diversas áreas de atuação, tendo enorme proximidade com sector turístico, no qual é indissociável a vertente gastronómica. Este trabalho conjunto tem sido fundamental para atingirmos os padrões que desejamos para a nossa região e o Município de Braga está fortemente empenhado para que este sector contribua ainda mais para elevar o nome da Cidade a patamares de excelência. Com todas as competências demonstradas e com a colaboração ativa dos agentes locais, foi possível atingir o reconhecimento internacional de Braga. A comprovar esse reconhecimento, destaco a distinção de melhor destino europeu atribuído pelo ‘European Best Destiantion 2021’, assim como a terceira posição nacional nas dimensões Negócios e Viver, no City Brand Ranking, pela Bloom Consulting, que mostram que Braga está no caminho certo. De Braga para o mundo, continuamos de portas abertas a todos quantos nos procuram para investir, para trabalhar, para estudar, para visitar ou para viver. Ricardo Rio Presidente da Câmara Municipal de Braga

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